O possível fim do carro popular no Brasil

O possível fim do carro popular no Brasil

Modelos como o Fiat Uno Mille, VW Gol 1000 e outros de menor sucesso, como o Chevrolet Chevette Júnior e o Ford Escort Hobby, originados pelo modelo tarifário que gerou carros mais acessíveis há 28 anos, tem perdido apelo junto aos compradores. 

Carros com motores 1.0 representava 69,8% das vendas em 2001, segundo a Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores). Estes dados mudaram! 

Em 2003, os carros de entrada como os veículos de modelo 1.0 turbo, por exemplo, representavam 49,1% das vendas, ano passado, este número caiu para 12,7%. 

Enquanto apenas quatro carros 0 km são considerados oficialmente como “populares”, a Fenabrave classifica mais de 40 modelos como SUVs. Ou seja, para cada carro de entrada, existem 10 vezes mais utilitários esportivos sendo oferecidos no mercado. 

A produção de carros de entrada está cada vez mais cara no Brasil. Em 1993 os encostos de cabeça e espelho do lado do passageiro eram considerados artigos de luxo. Nessa época o uso do cinto nem era obrigatório. Hoje, sem itens como freios ABS e airbags, o carro não pode nem ser fabricado. 

Além disso tudo, o público está cada vez mais exigente. Itens como ar condicionado e conectividade, com centrais multimídia se tornaram populares nos últimos seis anos e os carros populares mais simples não oferecem esse recurso. 

Quanto mais equipados os carros, maior a oportunidade de lucro dos fabricantes. Quem não tem dinheiro, está buscando carros usados e não 0km e quem tem está buscando carros mais robustos como SUVs. 

Ter um carro novo nunca foi barato. Em tempos como este, a fabricação dos veículos se tornou mais barata, porém, os compradores e governos exigem mais conteúdo e recursos, o que puxa os valores para cima. O que torna a produção de carros populares 0km cada vez mais irrelevante. 

Fonte: CNN Business